domingo, 29 de junho de 2008

Dona Cleuza

A cadeira em frente à porta do banheiro estava vazia. Entre os andaimes dos gogos na pista principal havia um caixão. Era um sábado a noite, como outro qualquer.

Júlio reparava no corpo do amigo do amigo de torso nú, que por sua vez se habituava à presença de homens de legging e maquiagem. Para ele era algo diferente. Ele não estava habituado a este tipo de lugar.

Enquanto isso, a drag Natasha exibia com orgulho seu novo par de sandálias, enquanto sussurava ao ouvido da amiga: "Viu o barrigão da Salette? Parece que está de 9 meses e meio." O caixão continuava ali, entre os andaimes. A cadeira à porta do banheiro continuava vazia. Três amigos entram na cabine juntos. Saem cambaleando, quando um deles encontra um conhecido que diz: "Acho que eu sei o que vocês estavam fazendo. Eu fiz isso quando fui à Floripa!". O garoto não lhe dá atenção e volta pra pista.

A fila à porta do banheiro não para de crescer. Ouvem-se gemidos. E a cadeira continuava vazia. O caixão continuava entre os andaimes.

Dona Cleuza morreu. Alguém sabia?

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