sábado, 9 de agosto de 2008

União gay reflete amor divino, diz chefe da Igreja Anglicana

Relacionamentos homossexuais podem "refletir o amor de Deus" de forma comparável ao casamento, se forem duradouros e fiéis, escreveu o arcebispo da Cantuária, Rowan Williams, 58, em cartas trocadas com um psiquiatra evangélico entre 2000 e 2001, quando ainda era arcebispo de Gales. O arcebispo da Cantuária é o líder da Igreja Anglicana.
O jornal britânico "The Times" teve acesso às cartas nesta semana, dias depois de terminada a Conferência de Lambeth -cúpula anglicana que acontece a cada dez anos. Os escritos repercutiram na imprensa britânica.
Em meio à crise sobre casamento homossexual e ordenação de mulheres e gays, a conferência foi boicotada pelo bloco, majoritariamente africano, de bispos conservadores que ameaçam rachar a Comunhão Anglicana, terceiro maior grupo cristão, com 77 milhões de fiéis.
O encontro propôs um acordo conciliatório -o que pode acontecer em cinco anos. Enquanto isso, Williams pediu que "as igrejas norte-americanas" mantenham moratória na ordenação e celebração de casamento de homossexuais.
A crise estourou em 2003, quando a Igreja Episcopal dos EUA (braço americano dos anglicanos) ordenou um bispo assumidamente gay.
Williams saíra-se bem na cúpula com a indefinição numa questão que pode levar ao maior cisma dos 450 anos de anglicanismo. Com as cartas, no entanto, sua situação pode complicar-se.
Segundo as correspondências de Williams, as proibições bíblicas referem-se apenas a heterossexuais que buscam uma "diversidade de experiências eróticas" e não às pessoas "homossexuais por natureza". Por outro lado, o arcebispo separou a opinião enquanto teólogo da posição como líder religioso.
Williams, que antes se opunha aos homossexuais, diz ter mudado de opinião ao, como professor em Cambridge, debater nos anos 80 com estudantes que acreditavam que a Bíblia não proibisse o homossexualismo, mas a promiscuidade.

Folha de São Paulo

terça-feira, 1 de julho de 2008

Não gostaria que minha filha fosse modelo

Isabeli Fontana: "É, a gente não tem que ter preconceito, mas filho meu eu não gostaria que fosse [gay]. Sim, é um mínimo preconceito... Eu adoro... Tenho vários amigos gays, amo de paixão, mas filho meu eu não gostaria que fosse".
Hebe Camargo: "Mas você não gostaria que seu filho fosse..."
Isabeli: "Ô!"
Hebe: "É, porque cria muitos problemas..."
Lugui Palhares: "Mas... Mas se ele fosse, você teria que..."
Isabeli: "Aceitar?"
Lugui: "Aceitar e saber entender, porque talvez aí você vai olhar com outros olhos, de outro ângulo..."
Isabeli: "Tentar entender, mas de outra forma? É, mas eu quero que seja...[heterossexual]"
Hebe: "Mas é questão de opinião, é a opinião dela, o filho é dela..."
Lugui: "Com certeza".
Isabeli: "Eu tinha que aprender a lidar com a situação, mas que é difícil, é, né?"

Carta da promotora. Caso Daniel Duque.

"Tenho lido e assistido em silêncio angustiante, nos últimos dias, a incontáveis manifestações de revolta e indignação pela morte do jovem Daniel Duque. Manifestações justas, principalmente quando partem da mãe e do padrasto de um menino que teve sua vida roubada pela violência.


No seu lugar, como mãe de um rapaz tão jovem quanto o filho dela, estaria me esforçando para não gritar de dor. O que pode acontecer de pior a uma mãe do que perder um filho na flor da idade?


Mesmo sofrendo como estou, gostaria de dizer que não estou acostumada a ter momentos de fraqueza. Não posso me dar ao direito de tê-los. Tenho enfrentado, ao longo dos últimos anos, desafios que me foram impostos pela minha profissão, em defesa da sociedade, da população. O exercício da Promotoria de Justiça, nos dias de hoje, de maneira séria e honesta, exige de todos nós sacrifícios que só realizamos com muita determinação e coragem.


É uma luta constante contra o crime, em suas mais variadas manifestações. Uma luta que, no meu caso, transformou uma mulher normal, tímida, sonhadora, feliz, um lindo filho pequeno, numa mulher determinada, implacável, em busca da justiça e da paz que todos nós queremos.


Os caminhos desta luta me levaram a confrontar, como todos já sabem, os mais perigosos e cruéis bandidos do Rio de Janeiro e o maior criminoso da história do país, Fernandinho Beira-Mar. Os desafios apareceram, eu os fui enfrentando, um a um, sem jamais recuar e acho que hoje pago o preço muito alto que esta cruzada me cobrou.


Este bandido voltou a me ameaçar. No último dia 19 de junho recebi nova comunicação de que ele, mais uma vez, disse que não descansará enquanto não me matar.


São anos e anos de uma vida sem paz, uma vida de medo, minha e de meu filho, que cresceu sem poder ser como os garotos de sua idade, brincando, feliz. Sempre cercado de seguranças, Pedro cresceu e hoje me orgulho, e o pai dele também, de termos criado um rapaz com valores rígidos, com caráter, decência e honestidade.


Mas Pedro sempre tentou ter uma vida mais próxima da normalidade, com todas as dificuldades que teve por causa de nossa situação. Fico triste ao ver que tantas pessoas o considerem um privilegiado por estar sempre protegido por um segurança. Na verdade Pedro é um prisioneiro, pela nossa condição de marcados para morrer.


Com estas informações, não quero criar justificativas para nada.


Quero dizer que o sábado 28 de junho foi um dos dias mais tristes da minha vida.
Eu lamento do fundo do coração a morte do jovem Daniel Duque.


Lamento profundamente a violência que se repete nesta cidade como uma rotina sufocante.


Quero justiça, assim como todos. Quero que o policial que disparou a arma, e que nunca, em oito anos, havia usado a sua pistola enquanto prestava segurança para nós, sempre demonstrando autocontrole, seja julgado - e não prejulgado - com o direito de defesa que se deve dar a todos.


Direito que até o homem que quer nos matar, a mim e meu filho, está recebendo.
Lamento pela violência que acaba se impondo e se traduzindo em nosso meio social, como que incorporadas de forma banal no meio de nossos jovens. É o que costumo chamar da convivência pacífica com a 'cultura da ilegalidade'.


Eu sei o que é a angústia de perder o sono esperando o filho voltar da rua. Sei disso porque toda a mãe sabe, como a mãe de Daniel sabia.


Mas sei por um motivo a mais: estamos, meu filho e eu, diretamente ameaçados de morte.


Há oito anos dei a minha paz e a do meu filho em defesa de uma cidade melhor, em que todos nós pudéssemos viver em paz e sem medo.


Há oito anos não tenho vida, rotina, tranqüilidade e paz de espírito.


Há oito anos convivo com o medo.


Medo de ligar o carro e vê-lo explodir.


Medo de ter minha casa invadida por cúmplices do criminoso que ajudei a prender.


Medo de receber a notícia de que meu filho sofreu um atentado.


Filhos não deviam jamais morrer antes dos pais. A morte de um filho contraria a lei natural na qual queremos sempre acreditar. Parece subverter o próprio espírito humano. Não há nada que se diga, portanto, que possa mitigar a dor de Daniela Duque e do seu marido.


Espero apenas que, um dia, eles percebam que toda a história tem mais de um lado. Esta também. E pretendo fazê-la acreditar que, embora repita, nada que possa dizer neste momento vá atenuar a sua dor de mãe, como Promotora de Justiça, nos dezesseis anos de minha pública carreira, tanto quanto ela tenho apenas um anseio: DE JUSTIÇA. Desejo apenas que a verdade dos fatos venha à tona. E certamente ela virá."


Rio de Janeiro, 01 de julho de 2008.
Márcia Velasco

domingo, 29 de junho de 2008

Dona Cleuza

A cadeira em frente à porta do banheiro estava vazia. Entre os andaimes dos gogos na pista principal havia um caixão. Era um sábado a noite, como outro qualquer.

Júlio reparava no corpo do amigo do amigo de torso nú, que por sua vez se habituava à presença de homens de legging e maquiagem. Para ele era algo diferente. Ele não estava habituado a este tipo de lugar.

Enquanto isso, a drag Natasha exibia com orgulho seu novo par de sandálias, enquanto sussurava ao ouvido da amiga: "Viu o barrigão da Salette? Parece que está de 9 meses e meio." O caixão continuava ali, entre os andaimes. A cadeira à porta do banheiro continuava vazia. Três amigos entram na cabine juntos. Saem cambaleando, quando um deles encontra um conhecido que diz: "Acho que eu sei o que vocês estavam fazendo. Eu fiz isso quando fui à Floripa!". O garoto não lhe dá atenção e volta pra pista.

A fila à porta do banheiro não para de crescer. Ouvem-se gemidos. E a cadeira continuava vazia. O caixão continuava entre os andaimes.

Dona Cleuza morreu. Alguém sabia?

terça-feira, 27 de maio de 2008

Nova campanha anti-tabagismo







"Fique esperto, começar a fumar é cair na deles"